mento. E é justamente esse tipo de história, a trama que, escondida, motiva a inadequação, que Rosp se propõe a contar.segunda-feira, 24 de maio de 2010
Quando o estranho não é tão estranho assim
mento. E é justamente esse tipo de história, a trama que, escondida, motiva a inadequação, que Rosp se propõe a contar.quarta-feira, 12 de maio de 2010
Cobertura do "Eco - Performances Poéticas"
Casa cheia.
Fred Spada, primeiro poeta do elenco de convidados.
Lucas Soares, segundo convidado: leu músicas e cantou poesias.
Alguns dos nomes inscritos para o microfone aberto
Mirabel apresentou o microfone aberto nesta edição
Fotos: Thais Thomaz
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Mini-doc sobre o Eco
Eco no twitter
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terça-feira, 4 de maio de 2010
Eco - Performances Poéticas
A primeira edição do ano será no dia
06 de maio, quinta-feira, às 20 horas, no Espaço Mezcla
(Rua Benjamin Constant, 720. Centro – Juiz de Fora, MG)
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E após o intervalo tem Microfone Aberto.
Leve seus textos ou poemas de seu escritor preferido!
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terça-feira, 20 de abril de 2010
Quatro poemas de Rafael Mantovani
a rua Corinto
na curva de volta pra casa
naquele dia comum
subi a rua Corinto
sem desespero nenhum
sem pensamento em cigarro.
meu passo, embora sozinho,
subia devagar e firme.
um casal no escuro, de agasalho,
subia a rua Corinto à frente de mim.
***
Noruega
na Noruega é assim:
o sono chega de trenó,
desembarca em pernas curtas,
traz uma mochila, diz que vai morar comigo.
ele tem o rosto de um cachorro
e um rastro escuro na barriga —
todos os nomes de lugar
escritos numa única lista.
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noite
ficam os anéis, vão-se os
dedos.
o direito de uso da sua escrivaninha,
suas palavras escritas,
do seu olho, também,
um dia finalmente despertencerá.
cuide bem das suas coisas
por respeito
aos amigos e filhos, vizinhos,
ao catador de lixo, ao ladrão.
cuide bem do seu humor
por amor
ao seu irmão.
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do litoral
1.
eu era uma cidade inteira
tentando fazer contato.
no horizonte submerso
eu era sobrevivente.
talvez passasse de noite
uma astronave ou um barco
e me visse
assim luzes acesas
cachorros gente nas ruas.
2.
do litoral enxergavam
às vezes chuva, às vezes
a linha escura de prédios
(estariam vivos
lá também?), mandavam
sinais de rádio.
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Rafael Mantovani nasceu em São Paulo. É também tradutor e publica no blog http://mantovanimantovani.blogspot.com/
domingo, 28 de março de 2010
"Indolência mórbida" - um conto de Artur Lins
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sexta-feira, 12 de março de 2010
"Femina Pulchra" - um conto de Mauro Siqueira
Deveriam se chamar asas!
Os gestos rápidos e bruscos davam-lhe tal qualidade; asas de uma borboleta já descrita. Entenda-se que não havia nada de mágico naquele ser à minha frente, nada ideal; não fazia ideia do seu rosto e não me importava. Eu estava completamente fora dos eixos, de mim! ao olhar aquelas manchinhas que recobriam toda a superfície, alguns poucos fios loiros, espinhas - muitas - e que lindas espinhas, sentia o perfume da pele, latescências novas de uma área, até então tão, tão... anti-erógena – minha voz até ressoa diferente. Uma pele coberta de imperfeições perfeitas, e eu, tentado a fazer besteiras; sentia-me cada vez mais perto, compelido a estar de fato pele a pele com aquela estranha Galateia! Parecendo perceber a todo o momento passava a mão pelas costas, negava-me por instantes a sua visão, num jogo traiçoeiro.
Eu não podia mais, não sou dado a observações demasiadas e... aliás, uma zona erógena sim! Afinal, em que lugar os vampiros arrebatam as mocinhas lânguidas, indefesas: na base do pescoço. Vi a minha mão tal qual a de Nosferatu: a milímetros do pescoço da vítima, no clássico filme alemão... e como nele recolhi meu gesto assim que pressenti... No ombro, repousou uma das mãos, negaceando-me! - era tão lindo gesto! e... surpresa, no dedo médio, outra borboleta (era um sinal), minha mão quase tocou a dela, corajosamente a minha vagava pelo ombro desnudo da desconhecida quase a tocar-lhe, eu não estava nem aí para o resto do mundo, quanto mais da turma, afinal era uma eletiva: eu queria aquelas costas! Meu estômago se revirava, parecia ter borboletas voando dentro dele. Um novo desejo me fez recolher a mão, uma sede por aquela pele me fez aproximar os lábios em direção àquela borboleta... inclinei para frente, senti os olhos da pessoa do lado (e do outro também) “Gente!”, alguém disse, o professor no seu latim, eu segui em frente, já via os poros, senti mais abrasadamente o cheiro do creme hidratante, aquela nudeza, aquela borboleta, fixei o olhar no desenho, parecia vivo, de um brilho verde-esmeralda, verde-parnaso, crescente, pungente, como o das asas do inseto - o toque era inevitável. O professor fez uma pergunta, ela ergueu a mão em que tinha o anel: “Femina pulchra”, respondeu com orgulho na voz. E então, os meus lábios naquelas costas...
Mal toquei na pele desejada e, ainda com a mão estendida, virou-se sobressaltada; e antes de sentir o anel com sua borboleta no meu queixo ou de borrar de sangue a minha Vênus flanqueada desenhada no meu caderno, vislumbrei a borboleta verde desgrudar-se violentamente, levando consigo um pouco daquela pele, ao voar pela janela e levar com ela toda a sua beleza e minha sanidade.
Mauro Siqueira é carioca, rubro-negro, escorpiano e míope até a medula. Formado em Letras pela UERJ, é assessor editorial. Publicou em 2008 De vermes e outros animais rastejantes (Ed. Multifoco), seu primeiro livro de contos. Prepara o segundo livro, também de contos, Simplesmente complicado. É colunista d'O Bule e bloga em De vermes e outros animais rastejantes
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
Quatro poemas de Fred Spada
Extrapola a confidência, o mar, o medo,
para, de mãos dadas, suportar o mundo.
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REVELAÇÃO
Espelho natural,
a água é o primeiro registro
da fotografia.
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MULTILÍNGUE
Palavra contida,
o silêncio fala
em todas as línguas.
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PESSACH
Nas palavras
me afogo –
e reinvento o respirar.
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Fred Spada é poeta por atrevimento e insistência, tendo escrito e engavetado muitos livros. O que lhe resta sobre a mesa tem por nome Arqueologias do Olhar, e suas escavações ainda seguem em aberto, com qualquer pá de terra por ser retirada a ver se novos versos serão descobertos. Enquanto isso, debruça-se sobre a obra poética de Hilda Hilst, no Mestrado em Estudos Literários da UFJF.





